Entre Camadas Narrativas: uma leitura de A Chave de Casa sob o viés da autoficção

Autores

Resumo

As artes, assim como as demais produções humanas, acompanham o desenvolvimento e as necessidades de cada época. A autoficção surge em meados da década de 1970 como um gênero que tensiona convenções como as de integridade e verdade, confrontando os limites entre realidade e ficção e reconfigurando a relação entre artista, obra e receptor. Este artigo investiga A Chave de Casa, de Tatiana Salem Levy, a partir desse viés artístico, analisando como sua construção narrativa instaura ambiguidade e incerteza quanto ao pacto de leitura. A investigação proposta baseia-se em um recorte teórico que dialoga especialmente com Faedrich, Santos e Barzotto. Observou-se que a narrativa de Levy se estrutura em múltiplas camadas diegéticas, fragmentadas e não lineares, que reforçam sua qualidade autoficcional. Considerou-se, ainda, que ela propõe um jogo narrativo entre autora, narradora e protagonista que promove deslocamentos constantes entre subjetividade e ficção. Além disso, foi identificado que a chave mencionada no título assume um papel simbólico central na composição da história, funcionando como um elo entre passado e presente, herança familiar e experiência individual. Esses resultados indicam que o objeto de estudo não apenas se vale de elementos autoficcionais para a construção de sua trama, mas também se serve deles para desafiar a percepção do leitor quanto à veracidade dos eventos narrados. Espera-se com este trabalho contribuir para uma nova leitura da obra, bem como para o aprofundamento dos debates sobre autoficção, com ênfase na valorização de vozes femininas na literatura (acadêmica, literária, entre outras).

Downloads

Publicado

2026-06-09