A mitocrítica e a metaficção em Jardim do Diabo de Luís Fernando Veríssimo

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Resumen

O presente artigo analisa o romance Jardim do Diabo (1988), de Luís Fernando Verissimo, a partir das relações entre mitocrítica e metaficção. O estudo parte da constatação de que a obra ultrapassa os limites do romance policial ao articular uma tensão entre realidade e ficção, expondo os processos de criação literária e de autoconhecimento do protagonista-escritor. A problemática central consiste em compreender de que modo Verissimo constrói uma narrativa autorreflexiva que desestabiliza o pacto ficcional e revela as camadas simbólicas do imaginário. O objetivo é investigar como os elementos míticos e simbólicos contribuem para a formação da subjetividade das personagens e para a complexidade estrutural da narrativa. A metodologia adotada fundamenta-se em uma leitura analítico-interpretativa do romance, com base nas teorias do imaginário e da mitocrítica de Gilbert Durand, bem como nas contribuições de Maria Zaira Turchi e Carl Gustav Jung. A fundamentação teórica permite identificar a presença dos regimes diurno e noturno do imaginário, evidenciando símbolos de separação, fusão, morte e sombra, os quais expressam o conflito entre o eu e o outro. Os resultados demonstram que Verissimo combina a estrutura policial com a autorreflexividade literária, promovendo uma fusão entre ficção e realidade, e que essa articulação simbólica aprofunda a dimensão psicológica e mítica das personagens compreendida aqui como o espaço psíquico onde convergem arquétipos universais e vivências individuais, manifestados através da autorreflexividade. Assim, Jardim do diabo revela-se uma narrativa híbrida, em que o mito, o inconsciente e a escrita se entrelaçam na construção do imaginário literário.

Publicado

2026-06-09