Quem pode escrever? Racismo e silenciamento - uma leiturado poema "Sol Sanguíneo", de Salgado Maranhão
Resumo
Este artigo foi realizado a partir de uma pesquisa sobre o poema Sol Sanguíneo, do poeta nordestino Salgado Maranhão, que foi publicado em um livro de título homônimo ao poema, Sol Sanguíneo, em 2002. A discussão do artigo faz-se em torno dos temas apresentados pelo meta-poema, que propõe questões em volta do exercício de escrever poesia diante das opressões. Estas atingem a esse eu lírico que assume uma identidade específica: de um homem negro, racial e socialmente marcado pelas imposições. Dessa forma, a pesquisa procura entender, junto a teóricos como Foucault (1971); West (2002) e a teórica Kilomba (2021), como é produzida a violência do silenciamento a pessoas negras. Além disso, discute-se também o lugar que foi pensado socialmente para homens negros, a partir de hooks (2015) e Rosa (2021) e, como o exercício da escrita poética tem subvertido os estigmas que aprisionam esses corpos. O meta-poema Sol Sanguíneo (Maranhão, 2002) é um texto que se propõe a elencar imagens do que é lutar para dizer de si mesmo, sendo um corpo negro e subalternizado por um sistema que é, ainda nos dias atuais, racista e colonial. Por isso, cabe perguntar: o que significa ser um homem negro? Quais narrativas e masculinidades foram designadas a esse corpo? Essas questões são importantes não somente pela identidade do autor, mas, principalmente, para estabelecer possibilidades interpretativas do que nos diz o eu lírico, já que esta é a identidade assumida pela voz do poema.








